Ivone Leão

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Doença é o afastamento de nossas ancestralidades



A doença dependendo do ambiente em que se vive torna-se algo corriqueiro podendo de certa forma até mesmo servir de companhia para aqueles que não desenvolveram ao longo da vida o eterno crescimento, já vi pessoas falando de uma gastrite como se falasse de uma amiga, mas porque isso?

Muitos motivos podem estar associados a essa atitude, a carência afetiva é um deles.


Mas existe algo que precede a carência afetiva, já que o próprio sentimento de carência é um desequilíbrio.

Na construção das sociedades ditas modernas pouco a pouco nos desligamos de nossa essência que nada mais é do que a própria natureza que nos circunda, sim, somos terra, água, carbono e tantos outros elementos que compõe as florestas, mares, rios, montanhas e tudo aquilo de quem nós seres humanos pouco a pouco fomos nos divorciando.


Vivemos isolados por materiais sintéticos, nos fartamos das estéticas produzidas pelo poder financeiro, navegamos por ruas, estradas, elevadores, suspensos de nossa mais rica essência, do material orgânico que gera energia e saúde.

Saímos apressados à vista de um feriado à cata de estradas e espaços aéreos, zumbis desesperados à busca do paraíso perdido.


E é lá à beira mar ou no alto de uma montanha conseguimos refletir em curtos espaços de lucidez - como me sinto bem por estar aqui -  é a nossa essência ancestral falando por pequenas frestas!!

A doença é isso, a morte de nós mesmos, assim como estamos matando as florestas, assim como aqueles que jogam lixo pela janela do carro, a doença é o esquecimento de nossa própria natureza.

Por que os índios ficavam doentes ao contato do 'homem branco?' Eles viviam em harmonia com os irmãos da florestas como os rios, animais, e tudo o que nasce da mesma fonte Sagrada.

De nada adianta tentarmos nos agarrar a Deus se esquecermos que somos fragmentos do Sagrado.


Existe uma frase que diz, não podemos tocar uma flor sem incomodar uma estrela-.

Me recordo agora de um texto que li há anos, muitos devem conhece-lo, o discurso do Chefe Seattle que ocorreu por volta de 1852 em resposta ao governo dos EUA sobre a aquisição das terras tribais para os imigrantes que chegavam ao país.


...transcrevo dois trechos...



..."Se lhes vendermos a terra, lembrem-se de que o ar é preciso para nós, o ar partilha seu espírito com toda a vida que ampara.
O vento, que deu ao nosso avô seu primeiro alento, também recebe seu último suspiro.
O vento também dá a nossas crianças o espírito da vida. Assim, se lhe vendermos nossa terra, vocês deveram mantê-la à parte e sagrada, como um lugar onde o homem possa ir apreciar o vento, adocicado pelas flores da campina.
Ensinaram vocês as suas crianças o que ensinamos às nossas?
Que a terra é nossa mãe, se acontece à terra, acontece à todos filhos da terra?
O que sabemos é isso, a terra não pertence ao homem, o homem é que pertence a terra.
Todas as coisas estão ligadas, assim como o sangue nos une a todos.
O homem não teceu a rede da vida, é apenas um dos fios dela. O que quer que ele faça à rede, fará a si mesmo.
Uma coisa sabemos: nosso deus é também o seu deus. A terra é preciosa para ele e magoa-la é acumular contra sobre o seu criador.
O destino de vocês é um mistério para nós. O que acontecerá quando os búfalos forem todos sacrificados? Os cavalos selvagens, todos domados? O que acontecerá quando os cantos secretos da florestas forem ocupados pelo odor dos homens e a vista dos montes floridos for bloqueadas pelos fios que falam?
Onde estaram as matas? Sumiram!
Onde estará a águia? Desapareceu!
E o que será dizer adeus ao pônei arisco e a caça?
Será o fim da vida e o inicio da sobrevivência."

- "Assim como somos parte da terra, vocês também são parte da terra, essa terra é preciosa para nós, também é preciosa para vocês. Uma coisa sabemos: existe apenas um Deus. Nenhum homem, vermelho ou branco pode viver à parte. Afinal,somos irmãos."

Com esse discurso que resume profundas verdades sobre a relação do homem com seu espaço de convívio fico por aqui deixando mais essa reflexão, não propondo que tornemos a viver como índios é óbvio, pois o caminho é sempre para frente, mas lembrando que de nada adianta ficarmos indignados ao vermos tantas desarmonias acontecendo ao nosso redor, se não nos propormos à um olhar mais apurado quanto as causas, adicionando novos caminhos que eu observo muitos grupos já estão fazendo, sejamos mais um a engrossar essa fileira dos que estão dedicando suas ações para uma cultura de paz e não de guerra, isso inclui a mudança de vocabulários, pois o verbo acaba por se expressar em nossa atitude.

Então, ao invés de dizer vou a luta, eu digo, vou a paz!!

Um abraço e até a próxima!!

Ivone Leão

Apaixonada pela vida!!

5 comentários:

PROGRAMA ITÁLIA ALLORA disse...

A mensagem do Cacique Seattle é maravilhosa e atual após 157 anos. Sua reflexão sobre o tema abordado é belíssima. Parabéns.

Daniel Costa disse...

Ivone

O tua bem esquematizada e reflexiva crónica, como aliás sempre. Agrada-me ler-te e reflectir sobre tudo com cuidado. Há coisas que é necessário definir, embora sejam sabidas por experiência própria.
Beijos

lita duarte disse...

Texto maravilhoso, Ivone.

Um ótimo dia para você.

Bjos.

Ivone Leão disse...

Obrigada Lita é muito bom sua presença por aqui!

Ótimo dia à você também!!

Beijos!

Ivone Leão disse...

Querido Daniel, é muito bom ter você por aqui. Sim a vida é um delicado sistema e nós o sabemos dentro do nosso mais íntimo, precisamos recordar...
Beijos amigo!!